4 Padrões de Comunicação que Podem Prejudicar Seu Relacionamento (e Como Mudá-los) 

4 padrões de comunicação no relacionamento que geram desgaste

Conheça quatro padrões de comunicação que podem desgastar um relacionamento e descubra estratégias para construir conversas mais saudáveis.

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5–8 minutos

A comunicação no relacionamento é um dos fatores que mais influenciam a qualidade da vida a dois. Mesmo casais que se amam podem entrar em padrões de conversa que favorecem conflitos, afastamento e sofrimento emocional.

Ter conflitos não é o problema

É comum ouvir que um casal “briga demais” ou que um relacionamento está em crise porque há muitos conflitos. Mas será que o problema é realmente discutir?

Na prática clínica e em pesquisas sobre relacionamentos, observamos que conflitos fazem parte de qualquer vínculo próximo. Pessoas diferentes têm histórias, necessidades, expectativas e formas de enxergar o mundo que nem sempre coincidem. Em algum momento, isso gera atritos.

O que realmente faz diferença é como esses conflitos são conduzidos.

Pesquisadores do Instituto Gottman, referência mundial no estudo dos relacionamentos, identificaram quatro padrões de comunicação que, quando se tornam frequentes, estão associados a um maior desgaste da relação. Eles ficaram conhecidos como  “Os Quatro Cavaleiros”, uma referência aos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. A metáfora foi escolhida por John Gottman para ilustrar como determinados comportamentos, quando passam a dominar a comunicação no relacionamento, podem sinalizar um processo de deterioração do casal. 

A boa notícia é que nenhum desses padrões significa que a relação está condenada. Eles podem ser reconhecidos, compreendidos e transformados.

1. Crítica

Gottman defende que existe uma diferença importante entre expressar uma reclamação e fazer uma crítica. Segundo o autor, reclamações são feitas sobre comportamentos específicos. A crítica, por outro lado, é generalizada, funcionando como um ataque à personalidade da outra pessoa e seu caráter. 

Por exemplo:

  • “Fiquei chateado porque você esqueceu do nosso combinado.” (reclamação voltada ao comportamento);
  • “Você nunca pensa em ninguém além de você.” (crítica ao caráter da pessoa).

Com o tempo, esse tipo de comunicação favorece sentimentos de rejeição, mágoa e incompreensão, abrindo espaço para que os outros “cavaleiros” apareçam na comunicação do casal.

Como mudar

Em vez de começar a conversa com acusações, tente descrever:

  • o que aconteceu;
  • como você se sentiu;
  • do que você precisa.

Essa pequena mudança costuma reduzir a chance de que a outra pessoa entre imediatamente na defensiva, além de favorecer a compreensão, fortalecer a conexão e aumentar a disposição do outro para responder ao seu pedido. te na defensiva, além de favorecer a compreensão, fortalecer a conexão e aumentar a disposição do outro para responder ao seu pedido.

2. Desprezo

Entre os quatro padrões, o desprezo é considerado um dos mais prejudiciais para o relacionamento. 

Ele aparece em situações como:

  • sarcasmo;
  • ironias constantes;
  • humilhações;
  • xingamentos;
  • zombarias;
  • revirar os olhos;
  • expressões de superioridade.

As mensagens implícitas são: “Eu me considero melhor do que você”; “Você não tem valor”.

Quando esse tipo de interação se torna frequente, o sentimento de segurança dentro da relação diminui rapidamente.e, o sentimento de segurança dentro da relação diminui rapidamente.

Como mudar

Cultivar respeito frequentemente nas pequenas interações do dia a dia faz diferença.

Demonstrar reconhecimento, agradecer gestos cotidianos e expressar admiração de forma sincera ajuda a criar um ambiente em que as conversas difíceis encontram menos hostilidade.

3. Defensividade

Imagine que alguém diz:

“Fiquei triste porque você esqueceu de me avisar.”

Respostas defensivas à essa fala seriam como:

“Mas você também faz isso.”; ou “Eu só esqueci porque estava cheio de coisas para fazer.”

A defensividade costuma aparecer espontaneamente como resposta à crítica, e é o cavaleiro mais frequente entre casais em momentos de crise.

Ao ouvir acusações que nos parecem injustas, buscamos justificativas, minimizamos o problema ou assumimos a posição de vítimas para que as acusações cessem. Mas o grau de eficácia dessa estratégia é mínimo. Isso porque, ainda que não de forma intencional, comunica que não valorizamos as queixas trazidas pelo outro e que não assumimos nossa parcela de responsabilidade.

Além de tentar retirar a culpa de si, também se tenta colocar a culpa no outro, e assim o conflito dificilmente encontra uma solução.

Cada pessoa passa a gastar energia tentando convencer o parceiro de que está certa, em vez de compreender o que aconteceu.

Como mudar

Assumir responsabilidade envolve reconhecer sua parcela de contribuição para a situação problema.

Uma resposta não defensiva, e autorresponsabilizante seria como: 

“Entendo por que você ficou chateado. Eu realmente poderia ter avisado.”

Esse tipo de resposta costuma diminuir a tensão e abrir espaço para uma conversa mais proveitosa

4. Bloqueio

Algumas pessoas, diante de uma discussão intensa, param de responder.

Ficam em silêncio.

Mudam de assunto.

Saem do ambiente.

Olham para o celular.

Ou parecem simplesmente “desligar”.

À primeira vista, isso pode parecer falta de interesse. No entanto, muitas vezes acontece justamente o contrário: a pessoa está tão sobrecarregada emocionalmente que não consegue mais continuar a conversa de maneira racional. 

Nesses momentos, insistir na discussão costuma aumentar ainda mais a tensão, levando ao bloqueio e repressão das emoções, ou à explosão emocional com o parceiro.

Como mudar

Fazer uma pausa de, pelo menos, 20 minutos para que corpo e mente possam se acalmar antes de retomar a conversa.

O importante é que essa pausa seja combinada.

Em vez de simplesmente ir embora, a pessoa pode dizer algo como:

“Estou percebendo que estou muito irritado agora. Preciso de alguns minutos para me acalmar. Podemos retomar essa conversa daqui a pouco?”

Pausar é criar condições para que o conflito seja resolvido de forma mais respeitosa.

Durante esse intervalo, procure evitar ficar ensaiando argumentos, revivendo a discussão ou alimentando pensamentos de culpa e injustiça. O objetivo da pausa não é preparar novos ataques, mas recuperar a calma para conversar de forma mais produtiva.

Nenhum relacionamento está livre desses padrões

Ler essa lista pode fazer você reconhecer comportamentos seus, do seu parceiro ou até de relacionamentos anteriores.

Isso é esperado.

Todos nós, em algum momento, podemos criticar, agir de forma defensiva ou dizer algo de que nos arrependemos. A diferença está na frequência com que esses padrões aparecem e, principalmente, na capacidade do casal de perceber o que está acontecendo e fazer reparos.

Relacionamentos saudáveis não são aqueles em que nunca existem conflitos. São aqueles em que as pessoas conseguem voltar a ouvir um ao outro, reconhecer seus erros e construir novas formas de comunicação.

Um convite à reflexão

Observar a forma como nos comunicamos pode ser um primeiro passo para transformar a qualidade dos nossos relacionamentos.

Afinal, uma conversa difícil não precisa terminar em afastamento. Muitas vezes, ela pode ser o início de uma compreensão mais profunda entre duas pessoas.

Às vezes, pequenas mudanças na maneira de expressar sentimentos, fazer pedidos ou responder a uma crítica já alteram completamente o rumo de uma conversa.

Quando esses padrões se tornam frequentes e parecem difíceis de modificar sozinhos, a psicoterapia pode oferecer um espaço para compreender a dinâmica do relacionamento e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com os conflitos.

Este artigo foi elaborado a partir das pesquisas do Instituto Gottman e de materiais educativos publicados pela instituição, adaptados e ampliados para uma linguagem acessível ao público brasileiro. Para conhecer os conteúdos originais, consulte os artigos indicados nas referências ao final desta página. 

Isabela Cazé Psicóloga Sistêmica em Curitiba

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  • Psicoterapia individual;
  • Terapia de casal;
  • Terapia familiar.

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